O governo de Angola aprovou, pela primeira vez, em maio, um plano nacional de proteção às girafas. No entanto, o próprio documento reconhece que o país ainda não dispõe de dados suficientes para saber quantos animais existem — nem onde estão localizadas todas as populações dessas espécies. Segundo a medida, “existem discrepâncias em relação aos dados disponíveis sobre o número de indivíduos existentes em Angola, o que dificulta a real quantificação das populações de girafa”.
O decreto presidencial de 29 de maio, que aprova o Plano de Ação Nacional para Conservação da Girafa no país, destaca que a ação é um desdobramento da inclusão do mamífero no Anexo II da Convenção sobre as Espécies Migratórias (CMS), no final de 2017. A CMS faz parte de acordos globais da Organização das Nações Unidas para a proteção de espécies selvagens.
Entre as metas do plano estão a identificação das populações de girafas até 2027 e a criação, até 2030, de um sistema nacional de monitoramento. As ações incluem pesquisas de campo com registro fotográfico, estudos populacionais, uso de colares GPS e o reforço da investigação científica.
A quantidade limitada de dados também gera dúvidas sobre a distribuição histórica das girafas em Angola. O plano indica que a população da girafa-angolana (Giraffa giraffa angolensis), por exemplo, foi estimada em cerca de 50 indivíduos, com base em dados de seis anos atrás. Há risco dos números estarem desatualizados.
De acordo com o governo, um dos eventos responsáveis pelo declínio acentuado das populações de girafas foi a Guerra Civil Angolana (1975-2002). O conflito armado que assolou o país afetou duas espécies de girafas registadas no país: a girafa-sul-africana (Giraffa giraffa) e a girafa-angolana. O decreto menciona que as populações sobreviventes de girafa-sul-africana encontram-se atualmente nos parques nacionais de Luengue-Luiana e de Mavinga, no sudeste de Angola, na fronteira internacional ao sul com a Namíbia e a leste com a Zâmbia, enquanto a girafa-angolana, que habitava o Parque Nacional da Mupa, na província do Cunene, no sul do país, foi extinta localmente.
O plano também cita a caça ilegal como um dos principais fatores de risco para a sobrevivência do mamífero, tanto no período da guerra quanto nos dias atuais. Além disso, a normativa prevê a criação, até 2030, de uma legislação que permita o uso de armas de fogo pelos fiscais das áreas de conservação ambiental, além de capacitar ao menos 100 agentes para a aplicação da nova lei — de policiais a autoridades judiciais.
Um dos objetivos definidos pelo decreto é assegurar a conservação e a recuperação sustentável da população de girafas em Angola ao longo dos próximos anos, dando espaço ao papel da ciência.
Imagem do banner: Uma girafa-angolana (Giraffa giraffa angolensis). Foto: Giles Laurent via Wikimedia Commons. (CC BY-SA 4.0)