Em estados amazônicos, produtores tradicionais de açaí enfrentam perdas significativas devido a secas extremas e incêndios florestais agravados pela crise climática.
O avanço de monoculturas, processo conhecido como “açaização”, também torna os açaizeiros mais vulneráveis ao calor, devido à perda de cobertura florestal.
Embora o mercado global de açaí possa atingir US$ 3 bilhões em 2034, comunidades que vivem do cultivo tradicional carecem de apoio técnico e de ferramentas para enfrentar um clima em transformação.
ACARÁ, PA — “Passei a vida inteira trabalhando com açaí. Eu sempre vivi disso.” O relato é de Eliseu Carvalho, de 57 anos, produtor tradicional que cultiva o fruto em uma área de várzea, próxima à casa onde mora, no município de Acará, no interior do Pará.
Após um incêndio florestal afetar áreas próximas à sua comunidade, Eliseu passou a reavaliar sua relação com o trabalho. Ele já pensa em abandonar a coleta do açaí para criar peixes.
A região onde fica Acará é um dos polos produtores de açaí do estado, concentrando milhares de pequenas produções artesanais em áreas de floresta e às margens dos rios.
Em 2024, o município foi afetado por uma temporada recorde de incêndios na Amazônia. Mais de 18 milhões de hectares sucumbiram ao fogo naquele ano, segundo o MapBiomas. A maior parte das queimadas ocorreu em áreas florestais, onde vivem comunidades tradicionais.
Eliseu conta que, naquele ano, assistiu às chamas arderem por mais de 20 dias, consumindo quase 30 hectares de floresta perto da sua residência. Segundo o agricultor, a vegetação tipicamente úmida ganhou aspecto seco devido às condições prolongadas de estiagem. “As chamas se espalharam pelas raízes e pela matéria orgânica”, disse à Mongabay. “Nós apagamos as chamas na superfície, mas elas continuaram queimando sob a terra.”

Quando os bombeiros voluntários conseguiram apagar o fogo, cerca de 2 hectares de açaizal já tinham ido ao chão. Eliseu estimou perdas financeiras na casa de R$ 50 mil e lamentou a destruição de árvores que seriam utilizadas como fonte de renda familiar por muitos anos.
Atualmente, a área queimada em Acará está em regeneração. O solo, no entanto, segue degradado — e pode levar até seis anos para que os açaizeiros alcancem a maturidade e produzam novos frutos. Diante dessa incerteza, o agricultor já considera abandonar os açaizais
para criar peixes, como o tambaqui e a tilápia. Mas há um impasse: sua família não tem recursos para comprar os peixes necessários para iniciar o novo negócio.
Conhecida por suas temporadas definidas de seca e de chuvas, a Amazônia vem enfrentado mudanças nos padrões climáticos da região.
Um estudo recente mostrou que, durante a estação seca (entre julho e novembro), período em que o fruto do açaí costuma se formar, o calor vem aumentando gradualmente ao longo dos anos. Desde a década de 1980, as temperaturas subiram, em média, 0,3 °C por década. Ao mesmo tempo, estudos registraram secas mais intensas e uma queda nos índices de precipitação.
Em 2023, aliadas aos efeitos de um El Niño particularmente intenso, essas tendências culminaram em uma das piores secas já registradas na região. A Bacia Amazônica registrou os menores índices de precipitação em mais de 40 anos, segundo análises. Como resultado, rios como o Negro, o Madeira e o Solimões atingiram seus níveis mais baixos em mais de um século.
No ano seguinte, a Amazônia ainda enfrentaria uma de suas mais intensas temporadas de incêndios já observadas pela ciência. De acordo com especialistas, o calor extremo tornou a região amazônica até 30 vezes mais suscetível a queimadas.
Em paralelo, os riscos são cada vez maiores para espécies ligadas à bioeconomia da floresta, como o açaí (Euterpe oleracea), que depende de um ciclo constante de chuvas, inundações e umidade para se desenvolver. Em áreas de várzea, os açaizeiros costumam ficar inundados por meses em trechos de água rica em nutrientes. Já em regiões de floresta de terra firme, dependem da chuva sazonal para crescer.

Por trás do ‘boom’ do açaí
Até os anos 1990, o açaí era consumido principalmente em comunidades ribeirinhas e cidades do norte do país, junto com peixe frito e farofa. Com as novas técnicas de processamento, o produto amazônico viajou para todos os cantos do Brasil, onde ganhou fama como sobremesa — uma moda que também traz riscos aos ecossistemas.
No despertar do novo milênio, ganhou o mundo.
Considerado um “superalimento” e associado à alimentação saudável, além de ganhar renome por suas propriedades antioxidantes e por seu alto teor energético, o açaí virou figurinha carimbada em vitaminas, tigelas com granolas, bebidas e até suplementos alimentares.
A colheita do fruto, porém, ainda se concentra na porção brasileira da Amazônia. Dados de 2024 do IBGE revelam uma produção anual superior a 1,7 milhão de toneladas. Maior produtor do país, o estado do Pará corresponde, sozinho, a mais de 90% do valor total.
A maior parte desse volume ainda é consumida na região, onde o açaí é um alimento fundamental para a cultura local. Representantes da indústria estimam que apenas 5% da produção é exportada, principalmente para os Estados Unidos e para a Europa. Mesmo assim, análises indicam que a demanda internacional segue em franca expansão: estima-se que o mercado global de açaí pode chegar a US$ 3 bilhões em 2034.

Com o boom do pequeno fruto, muitos produtores passaram a mudar a forma de cultivo, de olho em aumentar a produção — isso em meio a um clima cada vez mais quente e desafiador. Dados oficiais sugerem um aumento de 70% no número de palmeiras de açaí plantadas entre 2015 e 2023, sejam elas parte de sistemas agroflorestais ou de plantações intensivas. A produção extrativa, por sua vez, manteve-se relativamente estável.
Segundo o IBGE, a produção tradicional do açaí representa apenas 14% do total no Brasil.
“Tudo começou nos anos 2000, com uma tendência de remover outras espécies de árvores ao redor das palmeiras de açaí para aumentar a produção”, disse Hervé Louis Ghislain Rogez, professor e pesquisador em bioeconomia da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Essas práticas continuaram a se intensificar e a se espalhar à medida que o preço do açaí e a demanda pelo fruto subiam.”
Em 2017, Rogez notou que essa tendência se radicalizava. Grandes produtores e empresas começaram a converter florestas e várzeas em monoculturas — um processo conhecido como “açaização”. Hoje, fazendas de açaí são avistadas em todo o Pará. “Os fazendeiros usam tratores para limpar a terra e plantar fileiras de palmeiras de açaí, seguindo o modelo da agricultura norte-americana”, disse o professor da UFPA. “Eles usam irrigação artificial e diversos produtos para fertilizar o solo. Alguns, inclusive, introduziram colmeias de abelhas africanas não nativas para a polinização.”
Rogez entende que há um paradoxo nos novos modelos. Os açaizeiros são retirados de seus habitats naturais, na várzea e em áreas de floresta densa, para serem plantados em sistemas agrários que exigem grandes intervenções territoriais. “Em vez de adaptar o sistema à natureza, produtores adaptaram a natureza ao sistema”, disse.
Gracionice Costa da Silva Correa é uma das produtoras que ainda utilizam métodos tradicionais de cultivo e colheita. Ela cresceu em uma família tradicional de coletores de açaí na Ilha de Marajó (PA). Com apenas 10 anos, subiu em uma palmeira pela primeira vez e, valendo-se apenas das mãos e dos pés descalços, apanhou um cacho.
Aos 45 anos, continua colhendo a fruta em sua propriedade de 3 hectares. Ela se orgulha de manter vivo o mesmo método que sua família põe em prática há gerações, com intervenções mínimas na floresta. Sem agroquímicos, sem irrigação artificial, sem desmatamento excessivo.
Manter essas práticas, no entanto, é uma tarefa cada vez mais difícil. “O clima está muito diferente de quando eu era criança”, disse. “Em condições intensas de calor e seca, estamos vendo palmeiras mais fracas, com folhas amarelas e troncos mais finos. Cachos de açaí que não florescem e secam antes de se desenvolverem.”

Segundo Gracionice, as mudanças climáticas prejudicam pequenos produtores que dependem de colheitas de baixo impacto, comprometendo uma prática majoritariamente destinada ao consumo familiar e ao comércio local.
A moradora de Marajó contou que, aos 18 anos, passou a presidir a cooperativa local de açaí Manejaí, composta por 27 produtores tradicionais. A entidade costuma produzir cerca de 20 toneladas do fruto por ano e vende a produção a escolas e instituições locais. Desde 2023, porém, a produção caiu 35%, criando novos desafios ao trabalho.
“O impacto pode durar muitos anos. Quando o clima está muito seco, a primeira colheita pode até produzir açaí de qualidade. Mas, no segundo ano, o açaí fica muito seco e duro. No terceiro, temos muitos problemas porque a floração é fraca — e produz poucos frutos”, disse a coletora.
Gracionice defende que os extremos climáticos são obstáculos ao potencial dos pequenos produtores. “Estimamos que nossos produtores poderiam coletar até 6 toneladas de açaí durante a temporada. Mas agora estão coletando menos de 4 toneladas.”
As preocupações não são novas. Em 2014, pesquisadores entrevistaram 424 produtores ribeirinhos no nordeste do Pará. Cerca de 72% afirmaram que as colheitas eram piores nos anos mais quentes. Em 2017, novas entrevistas mostraram perdas de aproximadamente 22% quando as temperaturas estavam acima da média, segundo relatos de produtores.
“Nós queríamos entender não tanto a [questão da] ciência, mas sim quais eram as percepções dos produtores locais”, disse Daniel Tregidgo, pesquisador e autor de um estudo sobre a vulnerabilidade dos açaizeiros às mudanças climáticas. “Foi interessante notar que, mesmo antes da crise climática ser amplamente compreendida, os produtores já diziam que estava ficando mais quente e que a colheita do açaí vinha sendo afetada.”
Impactos na floresta
Plantações intensivas permitem aos fazendeiros colher grandes volumes de açaí. Com irrigação e fertilização, muitos podem produzir frutas fora de época. Enquanto isso, cientistas alertam que essas mesmas práticas podem comprometer o equilíbrio ecológico mantido pela coeta tradicional.
Um estudo de 2021, realizado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, investigou o impacto da densidade dos açaizeiros na foz do rio Amazonas, no Pará. Em 47 áreas de várzea selecionadas, cientistas examinaram o número de palmeiras por hectare, a diversidade de outras árvores e fatores ambientais, como a fertilidade do solo e a cobertura das copas.
Os pesquisadores encontraram um padrão claro: quanto maior a densidade de açaizeiros, menor a diversidade de outras árvores. Além disso, nas áreas de manejo intensivo, quase metade das espécies nativas havia desaparecido. Em alguns pontos da região analisada, os açaizeiros predominavam.
Segundo Rogez, da UFPA, o ato de “limpar” a vegetação também tem consequências não intencionais: a prática torna os próprios açaizeiros mais vulneráveis às mudanças climáticas.
“Sem tantas árvores ao redor, o impacto da seca nas palmeiras de açaí é ainda maior. Você perde a cobertura do solo da floresta e as outras espécies que ajudam a reter a umidade do solo. Isso está acontecendo ao mesmo tempo em que há menos chuva e os níveis dos rios estão mais baixos”, disse.

A remoção de árvores próximas às margens dos rios também pode causar a erosão do solo. “Quando os níveis dos rios estão mais baixos, a maré do oceano Atlântico avança mais para o interior, e a água fica mais salina”, disse o especialista. “À medida que essas palmeiras crescem bem ao longo das margens, vemos áreas com erosão até dez vezes maior do que o normal.”
Para enfrentar o problema, a Embrapa promove oficinas para incentivar um manejo florestal mais equilibrado. José Antônio Leite de Queiroz, analista da entidade, já liderou várias sessões de treinamento para produtores. Ele trabalha há mais de 40 anos com o açaí.
“Damos palestras básicas sobre ecologia, mostrando como as palmeiras de açaí se relacionam com outras espécies e por que é importante preservar essas árvores. Nosso único desafio é alcançar esses produtores. São mais de 10 milhões de hectares na região da foz do rio Amazonas — e não temos capacidade de chegar a todo mundo”, disse.
As recomendações da própria Embrapa variam conforme a região. Em áreas de terra firme, segundo Queiroz, os produtores têm pouca escolha a não ser adotar a irrigação artificial.
“Somos enfáticos quando se trata de cultivar açaí em áreas de terra firme. Se você não pode irrigar, nem pense em plantar. Caso contrário, ficará muito suscetível às mudanças climáticas. Vimos áreas em que quase 100% da produção morreu”, disse à Mongabay.
A quantidade de água utilizada pode ser substancial e vem aumentando. Em condições normais, a Embrapa recomenda o uso de cerca de 120 litros diários de água por touceira (conjunto de palmeiras) durante a estação seca. Já em secas prolongadas, os produtores aumentam esse volume para cerca de 180 litros por dia, a fim de manter a produtividade.
De acordo com o analista, 99% dos produtores em terra firme recorrem a alguma forma de irrigação artificial.

Comunidades vivem no limite
Na ilha de Marajó, Gracionice explicou que até mesmo os produtores adeptos de métodos de cultivo intensivo sofrem com as mudanças do clima. “Mas é um tipo diferente de sofrimento. Nós sofremos com a seca e com a redução da produção, e eles sofrem com os custos financeiros, porque está ficando mais caro manter tudo”, disse.
Segundo a coletora, ainda que os desafios não sejam exclusivos a um ou outro produtor, quem vive da coleta tradicional está em desvantagem. “Nós não temos as tecnologias e os recursos financeiros que eles aplicam em grande quantidade; simplesmente não temos. Isso permite que eles se recuperem muito mais rápido dos impactos climáticos”, lamentou.
Essas discrepâncias, por sua vez, levam muitas comunidades ao limite.
O problema atravessa as divisas paraenses: no vizinho Amapá, comunidades tradicionais de açaí no arquipélago do Bailique passaram a depender de assistência do governo após a seca de 2023 interromper sua produção. Com o aumento das temperaturas e a elevação do nível oceânico, moradores também enfrentam períodos mais longos de avanço da água salgada em áreas de cultivo. Como consequência, os próprios frutos de açaí ficam menos doces.
As comunidades do Bailique se orgulham de manter uma das produções de açaí de base florestal mais bem-sucedidas da Amazônia. A cooperativa local Amazonbai, com 161 produtores, obteve diversas certificações de sustentabilidade, incluindo as de organizações internacionais, como o Forest Stewardship Council (FSC).
No entanto, tudo mudou quando os níveis dos cursos d’água caíram drasticamente, interrompendo o ciclo natural de inundação que sustentava os açaizeiros do arquipélago. “Nosso açaí depende do rio subir e descer todos os dias”, disse Amiraldo Picanço, presidente da cooperativa. “Quando a seca veio, esse ciclo foi quebrado.” Após a temporada de seca de três anos atrás, a organização registrou perdas de açaí superiores a 60%.
“Foi um momento extremamente difícil”, disse Amiraldo. “Mais de dez comunidades ficaram praticamente isoladas porque o rio secou.” Com as vias fluviais cortadas, transportar açaí e outros produtos é quase impossível.
Segundo o presidente da Amazonbai, que trabalha com açaí há 17 anos, a insegurança alimentar é o que mais o assusta. Cerca de 20% da produção da cooperativa é destinada ao consumo local. Assim, quando a colheita cai e os preços sobem, as comunidades têm dificuldade em acessar um fruto que, em grande contrassenso, é cultivado em sua própria terra. “Nossa comida aqui é o açaí. Quando a produção cai, isso afeta a capacidade das pessoas de se alimentar”, disse.

Grupos denunciam falta de apoio
Para Maria Luiza de Andrade Benini, gerente de projetos do Instituto Terroá, entidade de apoio ao desenvolvimento territorial sustentável, com sede em Ribeirão Preto (SP), diversas comunidades recebem pouco apoio para lidar com um clima em transformação. “Quem mais vai sofrer é quem já está mais vulnerável: os produtores, as cooperativas e as associações locais”, disse à Mongabay.
A organização trabalha com a cadeia do açaí para enfrentar esses desafios. Em 2018, o instituto ajudou a criar o Diálogos Pró-Açaí, uma rede de produtores, pesquisadores, órgãos públicos e representantes do setor privado criada para discutir os rumos da indústria açaizeira em um contexto socioambiental.
Em comunicados recentes, a rede examinou os impactos das mudanças climáticas no setor. “Estamos preocupados porque algumas cadeias produtivas podem deixar de existir com o aumento da temperatura”, disse Benini. “A Amazônia poderia deixar de ser produtora de açaí, o que seria devastador para a região.”
O documento divulgado pelo Pró-Açaí defende que famílias agroextrativistas e comunidades tradicionais são mais vulneráveis ao problema, devido aos anos de marginalização nesse mercado. Segundo a rede, embora sejam parte essencial da cadeia produtiva, pequenos produtores frequentemente recebem apenas uma pequena fração do valor final.

Depois que os açaizeiros são manejados e seus frutos são colhidos, o açaí é transportado para cidades ribeirinhas. Em seguida, sua polpa é enviada para unidades de processamento em cidades maiores como a capital paraense, Belém. De lá, os produtos de açaí entram no mercado, onde são vendidos a preços muito mais altos do que os repassados aos produtores.
O alto nível de informalidade também é um problema, segundo o Diálogos Pró-Açaí. Grande parte da produção e do comércio local ocorre sem registro e, muitas vezes, sem contrato. Como resultado, o verdadeiro valor da indústria local é subestimado.
Ao mesmo tempo, conforme explicou Benini, comunidades produtoras operam à margem das políticas públicas. “Muitos produtores não têm acesso ao crédito [bancário] nem aos recursos necessários para se adaptar à mudança do clima. Vamos supor que as temperaturas continuem a subir: mesmo que quisessem começar a usar sistemas de irrigação, a maioria deles não teria condições de pagar”, disse.
Para enfrentar essas vulnerabilidades, a iniciativa multissetorial propõe novos mecanismos de financiamento para apoiar esses grupos, sobretudo quando a produção diminui em anos de eventos climáticos extremos.

Mantendo a tradição
Apesar dos desafios, Gracionice disse estar determinada a manter as tradições. Segundo a coletora, não se trata apenas de garantir o sustento: é preciso preservar a cultura e a identidade da sua comunidade: “Meus filhos já estão observando o que fazemos e aprendendo conosco. Queremos que esse conhecimento seja levado adiante.”
Desde 2012, sua comunidade na ilha do Marajó realiza oficinas, batizadas de “Filhos da Floresta”, nas quais moradores mais experientes transmitem ensinamentos a gestantes e crianças. Isso inclui informações cruciais sobre o açaí: quando colher o fruto, como manejar as árvores sem degradar a floresta e como entender o papel dos rios na produção açaizeira. “Isso é o que chamamos de conhecimento tradicional”, disse.
A marajoara vê esses ensinamentos como parte de um conjunto mais amplo de lições ambientais que considera cruciais para a sobrevivência das comunidades. “Eles precisam entender como a vida humana pode coexistir com a floresta, com os animais e com o nosso território. Não importa o que aconteça no futuro, queremos que eles continuem vivendo na natureza.”
Imagem do banner: Manejo de açaí na Terra Indígena Sawré Muybu (PA). Foto: Valdemir Cunha/Greenpeace.
Citações:
Flores, B. M., Montoya, E., Sakschewski, B., Nascimento, N., Staal, A., Betts, R.A., … Hirota, M. (2024). Critical transitions in the Amazon forest system. Nature. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-023-06970-0
Tregidgo, D. J., Campbell, A. J., Rivero, S., & Benjamin Freitas, M. A. (2020). Vulnerability of the Açaí Palm to Climate Change. Human Ecology. Disponível em: https://www.researchgate.net/
Freitas, M. A., Magalhães, J. L., Carmona, C. P., Arroyo-Rodríguez, V., Vieira, I. C., & Tabarelli, M. (2021). Intensification of açaí palm management largely impoverishes tree assemblages in the Amazon estuarine forest. Biological Conservation, 261, 109251. doi:10.1016/j.biocon.2021.109251