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4 histórias que expõem a crise dos peixes na Amazônia

Carcaça de peixe no leito seco do Lago Tefé durante a estiagem de 2024. Foto: Alessandro Falco/INCT Adapta

Poluentes, secas e usinas hidrelétricas estão transformando de maneira irreversível os rios da Amazônia — e os seres que nelas vivem. Comunidades ribeirinhas e indígenas já vêm há tempos relatando o que só agora os cientistas começaram a comprovar: os peixes amazônicos estão mudando. Não só estão ficando mais escassos como também menores e, pior, cheios de deformações.

Sofre o ecossistema e sofrem também as populações que dependem da pesca para sobreviver. E, a julgar pelas poucas ações que vêm sendo tomadas em termos de garantia e de proteção, o cenário é pouco animador. As perspectivas de aquecimento do clima para os próximos anos tornam tudo ainda mais grave.

A Mongabay mergulhou fundo nesse tema, que você pode acompanhar nesta série de reportagens a seguir.

 

Pescadores ajudam cientistas a mapear prejuízos das barragens do Madeira para a pesca

Um peixe capturado no Rio Madeira em uma balança eletrônica. Foto: Igor Hister Lourenço.

Apontadas como sustentáveis por não recorrerem à queima de combustíveis fósseis, as usinas hidrelétricas também carregam uma série de riscos ambientais.

Isso é perceptível na comunidade do Lago Puruzinho, no estado do Amazonas, onde a construção das usinas de Santo Antônio e Jirau — no vizinho estado de Rondônia — mudou drasticamente a realidade do Rio Madeira, de seus arredores e de quem vive de seus recursos naturais.

Assim, vendo-se diretamente afetados pela queda nos estoques de peixes como o pirarucu (Arapaima gigas) e o tambaqui (Colossoma macropomum), pescadores locais se aliaram aos cientistas. Essa união de forças resultou em pesquisas inéditas sobre o impacto ambiental e social das barragens do Madeira — como conta esta reportagem.

 

Peixes deformados expõem o colapso do pulso do Xingu após Belo Monte

Exemplos de pescada (Plagioscion squamosissimus) com deformidades capturadas na Volta Grande do Xingu; formato oval, curto e arredondado pode estar associado a deformações nas colunas vertebrais dos animais. Foto: Sara Rodrigues Lima.

Corpos ovais, curtos e arredondados. Entre outras deformidades, essas são algumas das características atípicas observadas em espécies de peixe que vivem nas águas do Rio Xingu, no Pará.

Esses aspectos incomuns não apareceram por acaso: há anos, o habitat desses animais convive com a força da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cuja atividade está atrelada a alterações no pulso de inundação do rio e ao aquecimento das águas — entre outros vários fatores que, segundo a ciência, afetam a biodiversidade local.

Não são poucos os relatos de pescadores que se deparam com peixes deformados. A Mongabay conversou com quem vive do rio e com quem estuda suas mudanças. Leia aqui.

 

Estudo no Rio Negro detecta danos genéticos em peixes após derramamento de petróleo

Carcaça de peixe no leito seco do Lago Tefé durante a estiagem de 2024. Foto: Alessandro Falco/INCT Adapta

A cor escura e o aspecto viscoso não são características naturais de peixes como o acará-amarelo (Acarichthys heckelii) e o jurupari (Satanoperca jurupari). A explicação é tão simples quanto preocupante: o que os tinge com essa coloração é petróleo derramado.

Em 2013, cerca de 60 mil litros de um composto derivado de petróleo caíram de uma balsa perto do Porto São Raimundo, em Manaus (AM), manchando as águas do Rio Negro. Por mais de uma década, seus impactos foram notados na carcaça dos peixes.

E, segundo estudos, ainda continuam impactando: mesmo que o contaminante tenha se esvaído na água com o tempo, peixes e outros animais seguiram expostos aos efeitos químicos do produto — e como mostrou esta reportagem, até o DNA deles foi afetado.

 

Como secas extremas podem redefinir o futuro dos peixes na Amazônia

Pescadores do Lago Tefé durante a seca em setembro de 2024. Foto: Alessandro Falco/INCT Adapta

Pescadores durante o período de seca, em 2024. Foto: Alessandro Falco/INCT Adapta.

Nos últimos anos, a Amazônia sofreu algumas das piores secas de sua história. A biodiversidade do bioma sentiu essa crise climática de diferentes formas — e, entre os mais afetados, estão os peixes.

O prognóstico para os próximos anos não é animador: o aquecimento do clima deve deixar as águas mais quentes e rios mais secos, alterando a reprodução e o crescimento dos peixes. Perdem eles e perdem também aqueles que deles se alimentam — inclusive humanos. Vale lembrar que peixes são a maior fonte de proteína animal na Amazônia.

A Mongabay foi até Manaus e voltou com um raio-x da crise gerada pela estiagem: confira estudos, dados, prognósticos e análises de diferentes especialistas nesta matéria.

Imagem do banner: Carcaça de peixe no leito seco do Lago Tefé durante a temporada de seca em 2024. Foto: Alessandro Falco/INCT Adapta.

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