A Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, é hoje responsável por cerca de 70% do desmatamento total em terras indígenas na Amazônia brasileira. O impacto se deve à mineração ilegal de ouro.
Estima-se que mais de 2 mil garimpeiros estejam operando na área, atualmente habitada por 200 indígenas Nambikwara.
Uma pequena terra indígena é hoje responsável por cerca de 70% do desmatamento total em terras indígenas na Amazônia brasileira, segundo dados do governo. O impacto se deve à mineração ilegal de ouro.
A Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, é habitada por cerca de 200 pessoas do povo Nambikwara. De janeiro de 2024 a agosto de 2025, a mineração ilegal de ouro devastou mais de 3 mil hectares de floresta amazônica no território — equivalentes a 4% de sua área total, 67 mil hectares.
A invasão de garimpeiros ilegais no território Sararé é relativamente recente. De acordo com um relatório do Greenpeace, apenas 78 hectares do território haviam sido impactados pela mineração até 2018. Esse número começou a crescer gradualmente a partir de 2021.

Em 2023, estimava-se a presença de 250 a 300 garimpeiros na TI Sararé. Neste ano, agentes do governo estimam que cerca de 2 mil garimpeiros estejam operando na área.
De janeiro a agosto deste ano, a TI Sararé registrou um desmatamento 85% maior do que o total combinado das outras nove terras indígenas mais afetadas no Brasil, que, juntas, perderam 640 hectares no mesmo período.
Sararé não figurava entre os principais alertas de mineração até 2023, mas agora desponta como o território mais impactado pela mineração.

A Terra Indígena Kayapó, localizada no estado do Pará, apareceu em segundo lugar em termos de área perdida para a mineração em 2024. Apesar de ser cerca de 49 vezes maior que a TI Sararé, perdeu quase 10 vezes menos terra para operações de mineração ilegal.
Forças da Polícia Federal realizaram várias operações de grande escala para destruir equipamentos de mineração na TI Sararé.
A operação mais recente, em setembro, localizou 14 abrigos subterrâneos cheios de suprimentos e destruiu quatro áreas de mineração, 42 motores estacionários usados para acionar bombas e maquinário, além de mais de cem acampamentos.
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Imagem do banner: Imagem de satélite mostrando a destruição da Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, deixada pela mineração ilegal de ouro. Imagem via Google Maps.