Um grupo de 185 países concordou em adotar regras mais rígidas para o comércio de duas espécies de preguiças cada vez mais visadas pela indústria do turismo.
Graças à aparência pacífica e amigável destes animais, turistas gostam de tirar selfies com preguiças e chegam a levar filhotes para casa como exóticos “animal de estimação”, alimentando o tráfico de animais.
As novas regras foram aprovadas pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites) e entram em vigor dentro de 90 dias.
Conhecidas por sua aparência pacífica e pela impressão de que estão sempre sorrindo, as preguiças agora contam com uma proteção extra para evitar sua exploração por um comércio de animais de estimação cruel e ilegal. A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), um acordo internacional que estabelece controles sobre o comércio de animais e plantas, aprovou a inclusão de duas espécies de preguiças no Apêndice II da convenção.
A decisão foi tomada em reunião de cúpula realizada entre 24 de novembro a 5 de dezembro no Azerbaijão, e significa que os 185 países signatários estarão sujeitos a regras mais duras para o comércio dessas espécies. Os países exportadores, por exemplo, terão de fornecer estudos que comprovem que a transação não afetará a conservação da espécie.
As novas regras serão aplicadas à preguiça-real (Choloepus didactylus), nativa da Amazônia, e à preguiça-de-hoffmann (Choloepus hoffmanni), que vive no sul da Amazônia e em partes da América Central. Ambas são preguiças-de-dois-dedos, conhecidas por serem mais agressivas e mais ágeis do que suas parentes de três dedos.

A proposta para fortalecer sua proteção das espécies partiu do Brasil, Costa Rica e Panamá, como forma de “evitar que o tráfico ilegal aumente e suas populações diminuam”. Os traficantes de vida silvestre, afirmaram os proponentes, têm retirado as preguiças das florestas para serem apresentadas como atrações em roteiros turísticos em países sul-americanos; alguns turistas chegam a levar um filhote de preguiça para casa como uma espécie de “animal de estimação exótico”. Pesquisadores já registraram esse tipo de ilegalidade em mercados públicos em Iquitos, no Peru, e em Manaus, no Brasil.
“A demanda pelas espécies de preguiças tem aumentado nos últimos anos, nomeadamente de animais vivos provenientes da natureza e destinados ao comércio de animais de estimação”, diz Nádia de Moraes-Barros, que estuda preguiças desde o final da década de 1990 e é coordenadora científica da Freeland Brasil, uma ONG que combate o tráfico de vida silvestre. A pesquisadora, que também é Vice-Presidente do Grupo de Especialistas em Tamanduás, Preguiças e Tatus da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), responsável pela elaboração da Lista Vermelha de espécies ameaçadas de extinção, disse à Mongabay que a aprovação da Cites reflete “a urgente necessidade da regulação das atividades de exportação e importação”.
Os alvos preferidos dos criminosos são filhotes de preguiça separados das mães para serem expostos em mercados populares em toda a América Latina ou exportados para lugares como Estados Unidos, Europa, Ásia e Oriente Médio. Poucos resistem ao estresse extremo de serem manuseados, confinados e expostos a multidões barulhentas, com taxas de mortalidade atingindo 99%.
As novas regras entrarão em vigor 90 dias após a aprovação na Cites.
Moda das selfies com bichos-preguiça coloca animais na mira de traficantes
Foto banner: Uma preguiça-comum (Bradypus variegatus) sendo exibida para turistas em Manaus, Amazonas. Foto: Neil D’Cruze.