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Investigação da Mongabay sobre carne de tubarão conquista 2º lugar do Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo

Carne de tubarão sendo preparada para distribuição na CEAGESP, na cidade de São Paulo.

Carne de tubarão sendo preparada para distribuição na CEAGESP, na cidade de São Paulo. Imagem de Philip Jacobson/Mongabay.

  • Uma investigação da Mongabay que revelou compras governamentais em larga escala de carne potencialmente contaminada de tubarão para escolas públicas, hospitais e prisões conquistou o segundo lugar no Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo.

  • Produzida em colaboração com o Pulitzer Center, a reportagem rastreou 1.012 licitações públicas emitidas desde 2004 para adquirir mais de 5.400 toneladas métricas de carne de tubarão, gerando preocupações ambientais e de saúde pública.

  • A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) afirmou que “premiou talentos” nas categorias profissional e universitária; a premiação atingiu número recorde de inscrições em 2025, com aumento de 40% em relação à edição anterior.

  • Logo após sua publicação, a investigação gerou um pedido de audiência pública na Câmara dos Deputados e uma citação em uma ação judicial para banir a carne de tubarão de licitações federais, além de debates dentro da indústria sobre os riscos relacionados ao consumo do alimento.

Uma investigação da Mongabay que revelou compras governamentais em larga escala de carne de tubarão para escolas públicas, hospitais e prisões conquistou este mês o segundo lugar na categoria nacional do 67º Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo.

Produzida em colaboração com o Pulitzer Center, a reportagem rastreou 1.012 licitações públicas emitidas desde 2004 para adquirir mais de 5.400 toneladas métricas de carne de tubarão, avaliadas em pelo menos R$ 112 milhões. Destinado para 542 municípios em 10 estados do país, o alimento gera inúmeras preocupações ambientais e de saúde pública. Segundo cientistas, a carne pode conter altas concentrações de mercúrio e arsênico — trazendo riscos à saúde humana quando consumida em grandes quantidades. Ao mesmo tempo, a sobrepesca pode reduzir drasticamente as populações de tubarões, que são considerados espécies-chave para a conservação marinha.

A segunda parte da investigação revelou que municípios do Rio Grande do Sul emitiram licitações para a compra de pelo menos 211 toneladas métricas de peixe-anjo — nome dado a três espécies de tubarão que estão entre as mais ameaçadas do mundo.

Em um comunicado divulgado em 12 de dezembro, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) disse que “premiou talentos” nas categorias profissional e universitária, em meio a um número recorde de inscrições — houve um aumento de 40% em relação à edição de 2024. O editor sênior Philip Jacobson e as repórteres investigativas Karla Mendes e Fernanda Wenzel foram os jornalistas premiados representando a Mongabay, junto com Kuang Keng Kuek Ser,  o editor de dados do Pulitzer Center.

Diferente da difusão de informações sobre as vendas de barbatanas de tubarão, ainda faltam dados concretos sobre o comércio da carne do animal — os cientistas estão apenas começando a investigar o tema. Logo após  ser publicada, a investigação da Mongabay gerou diversos impactos, desde um pedido de audiência pública pelo deputado federal Nilto Tatto, líder da bancada ambientalista na Câmara dos Deputados, até debates dentro da indústria a respeito dos riscos associados ao consumo de carne de tubarão.

Shark steaks, labeled as cação, on sale in a market in Itajaí in Brazil’s Santa Catarina state.
Bifes de tubarão, rotulados como cação, à venda em um mercado em Itajaí, no estado de Santa Catarina, Brasil. Imagem de Philip Jacobson/Mongabay.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) também citou a investigação em uma moção para proibir exportações de barbatanas de tubarão e a pesca do animal com estropo de aço em unidades de conservação marinhas. Embora esses dois temas não sejam o foco das reportagens, Braulio Dias, diretor de conservação e uso sustentável da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, disse que as denúncias contribuíram para “uma melhor conscientização da gravidade do problema” com os tubarões e para a revisão do arcabouço legal para o comércio de tubarões, que está em andamento.

A investigação também foi incluída em uma ação civil pública da ONG de conservação marinha Sea Shepherd Brasil para proibir licitações para a compra de carne de tubarão por instituições públicas federais. No Rio Grande do Sul, as prefeituras citadas na reportagem prometeram retirar a carne de peixe-anjo da merenda escolar.

A série investigativa também ganhou destaque na rádio pública The World, dos Estados Unidos, no podcast da Mongabay e na série de vídeos “Unpacking the Story” (“Desvendando a História”) do iMEdD International Journalism Forum.

Essa não é a primeira vez que a Mongabay aparece em evidência na premiação riograndense: em 2024, no 66º Prêmio ARI/Banrisul , a série “A madeira do sangue Guajajara“, escrita também por Karla Mendes e com apoio editorial e financeiro do Pulitzer Center, recebeu menção honrosa na cerimônia. A reportagem em questão revelou uma conexão entre a expansão da pecuária ilegal e o aumento de assassinatos de indígenas da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. As investigações na TI Arariboia também renderam a Mendes o Prêmio John B. Oakes de Excelência em Jornalismo Ambiental, da Universidade de Columbia, nos EUA — uma vitória inédita tanto para a Mongabay quanto para o jornalismo brasileiro.

Imagem do banner: Carne de tubarão sendo preparada para distribuição na CEAGESP, na cidade de São Paulo. Imagem de Philip Jacobson/Mongabay.

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